Depois de fotografar mais de 600 casamentos, existe uma frase que continuamos ouvindo com muita frequência:
“A gente não sabe posar para fotos.”
E isso acontece com todo tipo de casal. Já fotografamos pessoas extremamente tímidas diante da câmera, casais mais maduros, casais jovens e também aqueles que já estão acostumados a produzir conteúdo e se sentem completamente à vontade sendo fotografados.
A experiência nos ensinou uma coisa importante: não existe uma fórmula pronta para fotografar um casal.
E talvez esse seja justamente um dos principais caminhos para conseguir fotos naturais no casamento.
Ao longo deste artigo, você também vai encontrar fotografias com propostas muito diferentes entre si: imagens fotojornalísticas, momentos espontâneos, fotografias naturais e retratos com uma linguagem mais editorial.


Essa diversidade é intencional.
Não acreditamos que um único estilo precise definir todas as fotografias de um casamento. Cada momento e, principalmente, cada casal pode pedir uma abordagem diferente. Algumas imagens acontecem sem qualquer interferência. Outras nascem de uma direção muito leve. E existem momentos em que uma fotografia mais construída faz todo sentido.
Ao final, a ideia é mostrar que estilos diferentes podem conviver dentro da mesma história desde que cada fotografia faça sentido para as pessoas e para o momento que está sendo vivido.
1. Não existe uma fórmula para todos os casais

Cada casal tem uma personalidade, uma forma de demonstrar carinho e uma maneira diferente de reagir quando uma câmera aparece.
Por isso, não acreditamos em repetir uma sequência de poses simplesmente porque funcionou em outro casamento.
O que pode parecer espontâneo para um casal pode ser completamente artificial para outro.
Há pessoas mais introvertidas, que se sentem muito mais confortáveis caminhando juntas, conversando ou simplesmente se olhando. Outras gostam de uma fotografia mais construída e se sentem bem recebendo uma direção mais presente.


Nosso trabalho começa entendendo essa diferença.
A fotografia precisa carregar nosso olhar artístico, mas também precisa continuar fazendo sentido para quem está sendo fotografado.
Porque essas imagens não existem apenas para o dia do casamento. Elas vão contar essa história por muitos anos.
2. Referências podem inspirar, mas não devem virar uma fórmula
Hoje é muito comum que os casais cheguem ao casamento com uma pasta cheia de referências.
Pinterest, Instagram e outras plataformas estão repletos de fotografias bonitas. É natural salvar imagens que chamam atenção e pensar: “eu gostaria de uma foto assim.”
O problema começa quando a referência deixa de ser inspiração e passa a ser uma fotografia que precisa ser reproduzida exatamente.
Aquelas pessoas da imagem não são vocês.
Muitas vezes nem sabemos se estamos vendo um casal real ou modelos em uma produção. Também não conhecemos as condições em que aquela fotografia foi feita: a luz daquele momento, o clima, o tempo disponível, o espaço, a direção utilizada ou até o estado emocional das pessoas fotografadas.
Tentar reproduzir tudo isso de maneira literal pode acabar afastando justamente aquilo que buscamos: uma fotografia verdadeira.

Gostamos de conhecer as referências dos casais porque elas ajudam a entender gostos, estéticas e expectativas. Mas preferimos usar essas imagens como ponto de partida, nunca como uma obrigação.
A intenção não é recriar o casamento de outra pessoa.
É entender o que chamou a atenção naquela fotografia e trazer essa sensação para uma imagem que tenha a personalidade de quem está diante da nossa câmera.
3. Antes de dirigir, precisamos observar

Quando existe um ensaio pré-wedding, essa leitura começa antes mesmo do casamento. Além de ajudar o casal a se familiarizar com a câmera e com a nossa direção, o ensaio também pode ser uma oportunidade de escolher um cenário que tenha relação com a história dos dois. Para quem está pensando em fotografar no Rio, reunimos também um guia com os melhores lugares para fazer um ensaio pré-wedding no Rio de Janeiro.
Quando não existe, ela começa no making of.
Aos poucos observamos como o casal reage à câmera, como eles se movimentam, como se olham e quanto de direção funciona para aquelas duas pessoas.

A partir daí, vamos evoluindo.
Não tentamos colocar o casal dentro de uma fotografia que já imaginamos pronta. Preferimos construir as imagens a partir do que eles estão nos entregando.

Naturalidade não significa fotografar sem direção. Significa saber quanto dirigir cada casal.
E essa direção pode começar de uma maneira muito simples.
4. Quando o casal está travado, começamos pelo mais leve

Ter um fotógrafo e, muitas vezes, uma equipe de filmagem acompanhando cada movimento não faz parte da rotina da maioria das pessoas.
É absolutamente normal que os primeiros minutos sejam diferentes.
Por isso, quando percebemos que um casal ainda está muito consciente da câmera, não começamos pedindo poses complexas.

Às vezes começamos apenas caminhando pelo espaço.
Em outros momentos, pedimos que fiquem um de frente para o outro e conversem um pouco. Uma brincadeira, uma frase entre os dois ou até uma gracinha dita no ouvido já pode mudar completamente a expressão.

É nesse momento que começam a aparecer gestos que pertencem realmente àquele casal.
Um sorriso diferente.
Uma maneira particular de olhar.
Uma aproximação que não precisaríamos pedir.

Conforme percebemos que eles estão mais confortáveis, podemos evoluir a direção e acrescentar nosso olhar artístico à fotografia.
O objetivo nunca é fazer o casal interpretar um personagem.

É criar as condições para que eles possam ser eles mesmos.
5. Fotos naturais também dependem de respeitar o tempo do casamento

Existe outro ponto que consideramos fundamental e que nem sempre aparece quando se fala sobre fotografia de casamento:
o tempo do casal importa.
Uma sessão de fotos pode parecer curta para quem está fotografando, mas cada minuto fora da festa é um minuto em que os noivos deixaram de estar com as pessoas que escolheram para aquele dia.
E sabemos que casamento nem sempre acontece exatamente dentro do cronograma.

Uma cerimônia pode atrasar. A luz pode mudar. A recepção pode começar antes do previsto.
E, muitas vezes, quando isso acontece, o tempo que acaba sendo reduzido é justamente o das fotografias do casal.
É quando experiência faz diferença.

Não precisamos transformar 10 minutos disponíveis em 30 minutos de sessão só porque gostaríamos de produzir mais imagens. Precisamos entender o momento, trabalhar com aquilo que temos e fazer com que cada minuto utilizado realmente valha a pena.

Essa preocupação ficou ainda mais evidente para mim quando chegou a vez do meu próprio casamento.
Mesmo trabalhando com fotografia de casamento, eu não queria passar uma grande parte daquele dia fazendo fotos.

Eu queria aproveitar minha festa.
Queria estar com minha família, meus amigos e viver aquilo que estava acontecendo.
Estar do outro lado reforçou algo que já fazia parte da nossa maneira de trabalhar:
fotografias importantes não deveriam custar momentos importantes.
E quando a festa começa?

A nossa postura muda.
Durante a sessão do casal existe direção. Às vezes muito pouca, às vezes um pouco mais.
Na festa, praticamente desaparecemos.

Não queremos interromper uma conversa, pedir que alguém repita uma reação ou recriar algo que acabou de acontecer.
Ali, nosso trabalho passa a ser essencialmente fotojornalístico.
Observamos.
Antecipamos.
Esperamos.
E fotografamos aquilo que realmente acontece.

Uma gargalhada inesperada, um abraço, alguém emocionado, uma criança correndo pela pista ou aquele encontro entre pessoas que talvez não estivessem juntas há muito tempo.

Há momentos em que o fotógrafo precisa conduzir.
E há momentos em que o melhor que ele pode fazer é simplesmente estar atento.

Então, é preciso saber posar para ter boas fotos?
Não.
Depois de centenas de casamentos, alguns dos casais que produziram fotografias mais espontâneas chegaram até nós dizendo justamente que não sabiam posar ou que não gostavam de tirar fotos.
O que faz diferença é existir confiança.
Quando o casal entende que não precisa entregar uma performance para o fotógrafo, tudo começa a ficar mais leve, simples e espontâneo.

Nosso trabalho é observar, dirigir quando necessário e perceber quando é hora de deixar que as coisas simplesmente aconteçam.
Queremos fotografias bonitas, naturalmente.
Mas queremos, principalmente, que vocês vivam a experiência do seu casamento e, consequentemente, tenham fotografias verdadeiras.

Daqui a cinco, dez ou vinte anos, não queremos que os casais olhem para o álbum de casamento e vejam apenas uma pose bem executada ou uma fotografia que poderia pertencer a qualquer outro casamento.
Queremos que reconheçam ali sua maneira de sorrir, de se olhar, de sentir e de estar junto.

Porque, no fim, uma fotografia de casamento não precisa apenas mostrar como aquele dia foi. Ela precisa fazer você lembrar de como aquele dia foi sentido.